terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Ídolos do coração e feira da vaidade

POWLISON, David. Ídolos do coração e feira da vaidade: vida Cristã, motivação individual e condicionamento sociológico. Brasília: Refúgio, 1996.

Este livro é um pouco mais difícil de achar para comprar, mas vale a pena. Sou suspeito para falar deste livro, pois tenho me tornado um grande leitor de Powlison. O autor tem escrito livros voltados para o aconselhamento bíblico e este livro não foge do tema. É um livro pequeno de 84 páginas mas com grande conteúdo.
De maneira geral, a intenção do autor é demonstrar o perigo da Idolatria e apresentar a solução para tratar dela. Ele afirma que ídolos não são apenas imagens de escultura, mas também se torna ídolo aquilo que o próprio coração cria como substituto de Deus. E esses substitutos que o coração cria pode ser formado de várias formas. Ele mostra que, por exemplo, a vaidade e auto-confiança em si mesmo é na verdade uma idolatria criada.
Para o autor, toda idolatria causa problemas comportamentais, que, por conseqüência, todos os problemas comportamentais são causados por alguma idolatria. Usando um personagem chamado Walter, ele demonstra como a psicologia pode trazer uma falsa interpretação dos comportamentos dele, ao passo que a Bíblia mostra que esses seus comportamentos são causados por ídolos criados.
Mas o autor também aponta para o fato da Bíblia não somente mostra os ídolos, mas que também ensina a eliminá-los. Cristo pode suprir as carências que qualquer pessoa tenha por ter criado um ídolo. Por não ter essa compreensão muitos conselheiros cristãos e pastores têm tratado dos cristãos através de uma psicologização ou uma moralização do evangelho e não com o real sentido de restauração por meio de Cristo. Por isso, ele encerra seu livro ensinando o que é o evangelho.

O que mais se destaca neste livro é como o autor ensina a pastorear o coração do aconselhado. Ele combate o tipo de aconselhamento realizado nos nossos dias e aponta o caminho correto de quebrar os ídolos e afastar a feira das vaidades.
Se você não conhece este autor, este é um bom livro para começar a conhecê-lo! Boa leitura.

A Criação Restaurada

WOLTERS, Albert M. A Criação Restaurada: Base bíblica para uma cosmovisão reformada. São Paulo: CEP, 206.

Se você quer aprender um pouco sobre cosmovisão reformada este livro é importantíssimo. Possui apenas 128 páginas e, portanto, é uma leitura rápida. Wolters neste livro tem exatamente o objetivo de demonstrar o que é cosmovisão bíblica e usar esta cosmovisão para aprender a interpretar o mundo. Ele começa definindo o tema mostrando a importância dele. Depois ele trabalha com o tema tríplice criação-queda-redenção aplicando o tema da cosmovisão.
Sobre a Criação ele mostra que todas as coisas foram criadas por Deus e que é necessário ter uma visão correta das coisas criadas. Deus não criou o mundo com falhas, mas ele criou tudo bom e perfeito. Neste ponto ele trabalha com a questão de Cristo ser o meio usado para criar todas as coisas como o Verbo divino, sendo ele o mediador da criação. Mostra também toda a extensão da criação sobre todas as áreas. Nesta extensão é possível ver a revelação de Deus. Por isso, em todas as áreas da vida o cristão deve buscar a vontade divina ao interagir com a criação. Esta ordem foi dada no início da criação quando Deus diz: “dominai-a, sujeitai-a”.
Ao trabalhar com a queda, o autor fala o que é a queda, como se iniciou e quais as suas conseqüências. Ele demonstra que a conseqüência não foi somente ao homem, mas à toda a criação. Por causa do pecado houve uma distorção daquilo que Deus criou para ser bom. Ele conclui que o pecado não faz parte da criação de Deus, mas está nela. Por isso, toda a criação aguarda sua redenção.
Tratando de redenção ele demonstra que onde quer que o pecado contamine aquilo que Deus criou, Cristo fornece a possibilidade de restauração. Cristo é quem pode trazer restauração para todas as coisas. Para ele, acreditar que Cristo não pode restaurar todas as extensões da criação é também acreditar que a disseminação do pecado foi parcial e não total.
Ele encerra seu livro mostrando a prática de tudo isto mostrando que “o que foi formado na criação tem sido historicamente deformado pelo pecado e deve ser reformado em Cristo” (pg 102). Para ele, a restauração ainda não está completa, mas ela foi iniciada e já garantida que terá uma restauração final.

A importância deste tema é a dificuldade que muitos crentes têm ao tentar separar o sagrado do profano. É necessário entender que em todas as áreas da vida do crente deve ser para Deus. Mas ao mesmo tempo deve-se lembrar que todas as áreas devem ser restauradas da contaminação do pecado. 
Resumindo, recomendo a leitura para aqueles que querem inciar neste assunto. Boa leitura!

Verdade Absoluta

PEARCEY, Nancy. Verdade absoluta: liberando o cristianismo do seu cativeiro culturas. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

Antes de ler e conhecer a autora, não imaginava que fosse gostar deste livro. Mostra como muitas vezes "julgamos o livro pela capa". Mas, desde já, recomendo este livro para todos aqueles que desejam compreender o mundo em que vivemos principalmente levantando questões práticas. É um livro de 400 páginas, mas não é uma leitura cansativa. Para aqueles que gostam de ler Francis Shaffer, vai se identificar com a autora, afinal, trata-se de uma discípula deste grande mestre.
O livro é dividido em 4 grandes partes. A primeira parte ela trabalha explicando o que é cosmovisão e qual deve ser a cosmovisão cristã. Dentro deste tema ela demonstra a visão de algumas épocas que influenciam o pensamento atual e que trouxe para o meio evangélico a divisão entre a fé e as demais áreas da humanidade. Em todo seu livro ela deixa bem claro que seu pensamento teve uma grande influência do seu contato com Francis Schaffer  e com a leitura de seus livros. De forma simples e repleta de exemplos e muitos deles vividos por ela, demonstra como o pensamento moderno se afastou da verdade bíblica por não acreditar que haja alguma resposta para a vida. Para ela, a principal ferramenta para uma correta cosmovisão vem através da tríade criação-queda-redenção. Ela mostra também que através desta tríade é possível restaurar uma cosmovisão bíblica verdadeira.
A segunda parte do livro, Pearcey se foca no darwinismo. Ela mostra como este pensamento começou, quais são seus argumentos e como se espalhou para outras áreas. Ela também apresenta o perigo do darwinismo e como é possível encontrar esse pensamento em áreas que não estão relacionados à biologia, como, por exemplo, o pensamento construtivista da educação. O evolucionismo era a peça do quebra-cabeça que faltava para completar o quadro naturalista da realidade. Esse pensamento naturalista tem atingido também a mente dos cristãos que tem visto a realidade sob a ótica naturalista.
Na terceira parte do livro é apresentado um resumo sobre o pensamento evangélico. Ela apresenta um pouco da história e como o evangelicalismo se tornou anti-intelectualista. É necessário ressaltar que esta história apresentada é a que ocorre, em grande parte dela, nos EUA. Ela mostra que o povo acostumou a ouvir “os pregadores sem igreja” que sabiam trazer emoções à tona, sendo que estes pregadores não se preocupavam com a importância do conhecimento aprofundado das Escrituras, pois esta não era sua ênfase. Ela também faz uma apresentação do feminismo dentro da Igreja mostrando suas implicações, não somente para a Igreja, mas até mesmo dentro da família.
Na última parte do seu livro Pearcey traz uma proposta de mudança do evangelicalismo. Sugere eliminar da mente dos cristãos uma cosmovisão secularizada e naturalista, para uma cosmovisão cristã verdadeira advertindo também sobre o perigo de aplicar métodos não-bíblicos para o desenvolvimento da Igreja. Ela chama a atenção para a necessidade de se ter uma cosmovisão cristã, mas não simplesmente para combater as visões filosóficas ou pensamentos da época, mas também combater práticas que não estão de acordo com a Bíblia. Ela demonstra isso ao mostrar como o pensamento naturalista atinge a vida até mesmo de cristãos como na educação de filhos, ou até mesmo nas questões familiares do movimento feminista. Ela demonstra que os ensinos bíblicos devem influenciar a vida particular, visto que “estamos convencidos de que o que ganhamos o reino não visto é muito maior do que o que perdemos segundo a perspectiva mundana” (pg. 405).
No final do seu livro ela mostra algumas áreas da vida como uma cosmovisão pode trazer grande diferença nas nossas ações. Para ela, uma cosmovisão bíblica afeta cada área da vida do cristão com o objetivo de agradar a Deus. Vida cristã não se resume apenas na vida da Igreja, mas em todos os lugares existe a verdade e esta verdade pertence a Deus.

Encerro dizendo que o livro trabalhou com cosmovisão de maneira clara e muitas vezes prática. Apesar de algumas vezes ter usado alguns versículos fora do seu contexto, ela mostra que a Bíblia de fato tem resposta para as diversas questões da vida. Cosmovisão não é algo para ficar no campo teórico somente, mas ela atinge, querendo ou não, o dia a dia do cristão. Boa leitura!